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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Recuperação após a morte pelo Crack


Eu já havia escrito um post falando da minha história com meu filho mais novo, o José Henrique.
Para quem não leu, é interessante ler ele antes para pode prosseguir com a leitura.

O Post se chama "O resgate do 3° filho", é só clicar.

Ontem recebi a visita do meu amigo Xamã. Enquanto ele estava na cozinha tomando café fui para a área fazer umas coisas. Quando retornei, percebi que já não era mais ele que estava na minha cozinha tomando café.
O Xamã é um médium de passagem, ou seja, ele permite que outros espíritos bons e guias usem seu corpo físico para conversar, aconselhar e orientar.
Por meio dele, conheci e conversei com entidades fantásticas e sempre tenho notícias do outro lado dos meus pais desencarnados.

-Boa tarde, eu disse, percebendo que já não era mais meu amigo na minha frente. Seu nome é?

-Oh! Perdão, vim sem avisar, mas conversei com seu amigo aqui e ele permitiu que eu viesse para lhe contar as novidades pessoalmente. Meu nome é André e eu sou um dos responsáveis pelo tratamento do José Henrique!!!

Tio André e Tia Maria, como eram chamados carinhosamente pelos meninos, ajudavam a recuperar um grupo de meninos de rua desencarnados.
Tarefa difícil. Muitos não se desapegavam das ruas, das drogas, da violência.

José Henrique nascera numa família desestruturada e sua mãe nunca o protegeu ou o orientou corretamente. Mal fora à escola. Pai desconhecido, mãe alcóolatra, drogada e prostituída. Levava o menino nas ruas para que ele mendigasse pra ela saciar seus vícios.
Com fome, frio, e abandonado, José henrique vagava pelas ruas pedindo trocado, engraxando sapatos e logo conheceu o crack. Sob a influência do Crack, ele esquecia da fome, do frio, do abandono. E não durou muito tempo. Depois de conseguir uns trocados e sem comer nada a vários dias, morreu entorpecido pela fumaça do crack. Seu corpinho frágil e sofrido não aguentou. Sua mãe biológica perdeu as notícias dele e nem sabe que ele já desencarnou.

Seu Zé Pelintra, entidade das ruas e da esquerda da Umbanda, acolheu o menino após o seu desencarne. Seu Zé protege as crianças de rua desencarnadas, para evitar que seus espíritos sejam escravizados por entidades perversas como por exemplo o Demônio do Crack.
José Henrique ficou um pouco com Seu Zé, até que um dia, ele se sentiu tentado pela sensação do crack novamente. Era o Demônio querendo-o de volta:

-Ele é MEEUUU!!! Fociferou o Demônio que não queria abrir mão do menino.

Seu Zé ficou na frente dele, entre o Demônio e José Henrique que estava com muito medo e assustado. Deu o chapéu panamá para José Henrique segurar:

-Antes de pegar ele, você vai ter que me enfrentar primeiro, disse Seu Zé.

O Demônio não gostou nada da história e desapareceu.
José Henrique ficou muito assustado com tudo isso. Não aguentava mais vagar pelas ruas. Nem como morto.

-Você está cansado disto, não é meu filho? Perguntou Seu Zé , enquanto consolava o menino.

O menino assentiu com a cabeça que sim.Tremia tanto que nem conseguia falar nada.

-Então você já está pronto para sair daqui, disse seu Zé, e o tirou das ruas junto com outras crianças recém-desencarnadas e o levou para tratamento em uma orbe superior. Lá José Henrique conheceu Tio André e Tia Maria.

Foi nesse tratamento, brincando com os amiguinhos que meus filhos o conheceram. Mas para não atrapalhar no seu desenvolvimento, aconselharam a que Menino Falcão e Menino Gavião mantivessem distância, porque eles estavam prestes a encarnar e José Henrique tinha acabado de desencarnar, então eram situações completamente opostas.

José henrique já tinha sido meu filho em outras vidas passadas. Quando nos vemos em sonhos, no plano espiritual, meu amor, carinho e afeição por um filho conhecido logo se manifesta. Mas por respeitar o trabalho de seus guias, e não querer bagunçar sua cabecinha já tão confusa, também mantive distância.

Menino Falcão e Menino Gavião estão em preparação para encarnar. Mas nas suas folgas, sempre visitaram José Henrique e me davam notícias dele periodicamente.

Recentemente, no fim do ano, a escolinha que os meninos estudam entrou em recesso. Os guias e professores iriam descansar e visitar familiares - encarnados e desencarnados.
Meu filhos foram convidados para passar as férias numa fazenda de um casal de americanos: Dona Clementine e Seu Mathew.


Eles haviam sido meus sogros na minha última vida nos EUA. Por volta de 1870, eu vivi nos EUA e apesar de nascer em uma cidade grande como Chicago, preferi me mudar para o Tenesse e viver no campo.
Gostava de cavalos e da natureza. Casei com um americano e Menino Falcão e Menino Gavião foram nosso filhos. Vovô Mathew e Vovó Clementine eram muito carinhosos e éramos uma família muito feliz.

No mundo espiritual, o velho casal não abriu mão de continuar no campo. Com trabalho e esforço, eles voltaram a ter a fazenda e tinham vizinhos da antiga comunidade. Estavam cuidando de uma netinha, mas ela havia encarnado recentemente e eles estava se sentindo muito sozinhos. Foi daí então que surgiu a idéia de convidar os meninos para passar as férias na fazenda.


Apesar da excelente idéia, Gavião Negro ficou enciumado. Achou que eu e os meninos iriamos trocar de família. Tive que explicar que eles já haviam sido avós dos meninos e que não tinha nada a ver uma coisa com a outra, além do mais, eu nem conhecia o filho deles que está encarnado na Terra.

Assim, depois de resolver o mal entendido, Menino Gavião e Menino Falcão passaram as férias com seus avós na fazenda.
Ajudavam o Vovô Mathew nas tarefas da fazenda, cuidando dos cavalos e da plantação. Vovó Clementine mimava-os com tortas, doces e guloseimas.
Aos Domingos, todos se arrumam e os meninos vestem terninhos, para assistirem a missa da Igreja da comunidade.
O Padre local, também fora padre encarnado da comunidade na Terra, hoje atua como guia e ajuda a aconselhar e orientar a comunidade rural espiritual.
No fim da missa, sempre alguém da comunidade vai para a frente do público para compartilhar uma experiência vivida em terra, seja boa ou ruim. Isso é muito importante para eles, e faz parte da aprendizagem coletiva.

Depois, toda a comunidade participa de um almoço coletivo. Mais tarde música, dança, festa e competições à cavalo. Somente do fim do dia, que a família volta para a fazenda.


Mas as notícias que eu vinha recebendo de José Henrique não eram assim tão animadoras. Ele havia passado recentemente por um tratamento profundo de desintoxicação das drogas e ficou dormindo durante uma semana. Depois que acordou, Menino Falcão e Menino Gavião o receberam com festa e presentes, ele ficou muito feliz. Estava empolgado pois ele voltaria à escola. Uma de suas frustrações quando vivo era de que nunca conseguiu aprender a ler e escrever, somente sabia contar "troco".

Quando ele começou a ir para a escola,travou. Alguma memória da sua última vida aflorou e ele simplesmente travou, se escondeu de todos e não parava de chorar.
Como muito custo e muita conversa depois, ele se desculpou e voltou a assistir as aulas. Mas as crises começaram a ficar frequentes e ele começou a regredir tanto na lucidez como no tratamento.

Seus guias estavam muito preocupados. Assim, com o recesso escolar, montaram uma colônia de férias e foram todos para a praia. José henrique nunca tivera oportunidade de conhecer o mar, ficou maravilhado e suas crises desapareceram por enquanto. O receio era de que quando ele voltasse para a escola, precisaria de um suporte especial, mas ainda não sabiam como proceder.
Fiquei chateada quando eu soube. José Henrique era uma criança ótima e carinhosa, mas as experiências amargas de sua última vida o estavam prejudicando muito.

Os outros estavam tão felizes na fazenda, porque José Henrique tinha que sofrer tanto?
Eu não queria interferir, não tinha esse direito. Primeiro por que eu estou encarnada e tenho minhas obrigações aqui. Segundo por que ele nascera em outra família e mesmo desencarnado, ele tinha guias responsáveis por ele. Mas eu me sentia triste e frustrada.

Certo dia, quando Menino Gavião veio me ver e contar as novidades, eu fiz um pedido:

-Converse com seus avós e converse com os guias de José Henrique. Venha se é possível que José Henrique passe o resto das férias com vc, seu irmão e seus avós. Acho que faria muito bem para ele. Mas antes, converse com os guias dele, adverti.

Fiquei um tempo sem ter notícias. Não sabia se tinha dado certo ou que os guias de José Henrique não achariam que era uma boa idéia reaproximá-lo dos antigos irmãos.
Mas logo o Xamã me deu o recado:

-Sonhei com José Henrique. Eu o vi na fazenda com os irmãos dele e estava muito feliz lá. Todos o tratavam muito bem e ele se sentia muito bem. Estava bem feliz.

Fiquei em paz quando soube. Naquele mesmo dia, tive uma projeção astral lúcida e me lembro de ter conversado com os guias de José Henrique.
Eles estavam maravilhados.
José Henrique não só havia melhorado, como deu um salto, avançou muito na lucidez e no tratamento.

Todos estavam muito entusiasmados e resolveram se reunir, os guias de José Henrique, os avós, o Professor Nicolah responsável por Menino Falcão e Gavião, para chegarem a um acordo:
Os três irmãos iriam morar juntos na fazenda com Vovô Mathew e Vovó Clementine.

Então, André, o guia de José Henrique agora estava na minha cozinha, tomando café e comendo bolo contando-me pessoalmente as novidades:

- José Henrique melhorou tanto, que agora ele quer ajudar os seus amiguinhos da rua que ainda estão muito debilitados. Mas ainda é muito cedo para isso. Estabelecemos metas para ele, que se ele as cumprir, ele poderá trabalhar com os meninos de rua.

-Nossa! Realmente é uma melhora e tanto, observei. Afinal, ele teve uma vida muito sofrida, uma morte traumática, até ontem estava dando surtos e de repente ele quer ajudar todo mundo? Nem tem 3 anos direito que ele desencarnou, comentei. Eu nunca quis me intrometer nesses assuntos, continuei. Mas vendo que ele estava sofrendo tanto, achei que ele poderia se sentir melhor na fazenda com todo o amor e carinho que os avós têm para dar. Mas nem em sonho imaginava que ia dar tão certo!

-No Centro de tratamento onde José Henrique fica com seus amiguinhos, apesar de todo o nosso cuidado, atenção e carinho, ele ficava muito triste quando algum parente ia visitar seus amigos. Não aparecia nenhuma parente da sua última família para visitá-lo, somente seus filhos. Ele se sentia mais abandonado ainda. Ele veio de uma família muito desestruturada, não podíamos contar com eles, nem com os desencarnados.
A solução foi buscar ajuda com a família antiga dele, ou seja, vocês. Ele sempre pergunta por vc e sente muito carinho. Agora ele quer aprender a ler e escrever para poder fazer uma carta para vc, disse André. Sei que a vocação do seu amigo não é a psicografia, mas daremos um jeito de vc receber a cartinha que José Henrique quer escrever para você. É importante para ele. Na fazenda, ele se sente feliz e amado.
No começo ele nem acreditava que poderia chamar o Mathew e Clementine de avós. Em vida, ele sofreu muito preconceito por ser negro e como o casal de fazendeiro é branco, no começo ele ficava meio sem graça. Hoje ele está completamente integrado à família. A comunidade, na qual fazem parte as famílias de fazendeiros da região, já o conheceram e o receberam muito bem. Todos o elogiam e conversam muito com ele. Com essa base, amor e confiança, ele está se sentindo tão bem e feliz, que já começou a fazer seu auto enfrentamento.

-Ele já consegue comentar sobre sua última vida? Não fica chorando e se escondendo? Perguntei.

-Não! Quando seus amigos, irmãos e avós comentam de experiências de suas últimas vidas, ele puxa um gancho e começa a comentar de sua última vida. São experiências difíceis e amargas. Mas no final, todos o abraçam com muito carinho e o reconfortam dizendo que é tudo faz parte do passado e que agora ele está bem. Ninguém o força, ele faz isso por si só. É um avanço muito grande. Por isso ficamos todos tão entusiasmados. Uma grande dificuldade que temos com crianças que sofrem esse tipo de desencarne traumático, é que elas chegam muito agressivas e violentas.

-Crianças de rua, infelizmente têm que sobreviver.

-Sim, mas a agressividade às vezes é tão forte, que atrasa o tratamento por anos ou décadas. Apesar das dificuldades que José Henrique teve, ele nunca foi agressivo ou violento. Como seu Zé disse quando nos entregou: "- É um bom menino."

-Nunca senti raiva, rancor ou agressividade em José Henrique, confirmei. O que eu sentia muito nele era o medo e a frustração do abandono. Ele sofreu muito com o abandono. Nunca teve quem cuidasse dele. A mãe biológica dele nunca cuidou, somente o usava.

-Até seu pai já o adotou como neto, contou. Seu pai ajuda José henrique com os deveres de casa. Ele está trabalhando como guia dele.

-Ah, meu pai é 10, comentei saudosa. Fico feliz que ele esta ajudando ele. O José Henrique já voltou às aulas?

-Sim, já tem duas semanas! Confirmou André.

-Nossa, e aí, tudo bem? Ele travou alguma vez?

-Não, está tudo ótimo. De manhã ele toma café com os irmãos e os avós, os irmãos vão para a escola para preparo de encarnação. Vovô Mathew fica a manhã inteira trabalhando na fazenda e dando atenção para José Henrique. Para estreitar os laços. Podemos dizer que ambos estão encantados um com o outro, comentou rindo. O José Henrique gosta muito de ajudar e adora fazer as tarefas da fazenda. Depois a famíla almoça junta e após o almoço, José Henrique vai para a aula.
De tardezinha ele volta para a fazenda e faz os deveres de casa com seu pai. Daí brinca com seus irmãos e depois eles ceiam.
A disciplina é muito importante para o tratamento dele, então programamos atividades para o dia todo. É importante que ele esteja sempre sendo assistido.


-Recentemente aconteceu algo na escola com ele, comentou André.

-Nossa, é o que foi, perguntei.

-Tia Maria saiu da sala com ele, perguntou o que estava acontecendo, preocupada. Ele disse a ela que ele estava muito feliz, em paz, e que não era mais para ela ficar se preocupando tanto com ele. Que agora ele estava muito feliz e que era para ela dar mais atenção aos amigos dele que ainda estavam se recuperando.

-Nossa..Que salto de lucidez, hein? Tô besta.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Resgate do Terceiro Filho

O meu Totem animal é um grande Tigre Negro.
Eu o convoco para lutar e me defender no mundo físico e espiritual.
O Totem de meu marido, Gavião Negro, é um Tigre Branco.
O descobri acidentalmente ao convocar meu Tigre Negro nas lutas de esgrima.
Quando lutamos entre nós dois, ninguém vence, praticamente anulamos nossos golpes.
Quando juntos, entramos em sintonia e em equilíbrio, como o Yin e o Yang.
Unidos, somos muito poderosos e podemos enfrentar qualquer coisa que ouse se atravessar em nosso caminho.

A família Tigre fica completa quando nossos filhos Menino Gavião (tigrinho branco) e Menino Falcão (tigrinho negro) se juntam a nós.
Mas sempre que procuramos ver pela terceira visão ou no plano astral nossos Totens Tigres brincando na neve, sempre temos 3 filhotes: um branco, um negro e um laranja (o único "normal" da família).


O tigrinho laranja brinca ativamente com seus irmãos e juntos formamos uma grande família. Apesar que na natureza o macho/pai não desfruta da companhia da fêmea/mãe e dos filhos, nossos totens formam uma grande família unida e guerreira.

Estamos sempre correndo na neve, brincando e caçando. Haja caça para sustentar essas boquinhas!!!
Marido adora brincar com os filhos, mas como eles já estão bem crescidos e fortes, três contra um é sempre meio barra-pesada.

-Eles estão uns trogloditas! Pulam em cima de mim como páraquedas! Choraminga o marido.

-O que vc queria? Filhos magros, raquíticos e apáticos??? Questiono o marido sobre seus reclames.

-Não esposinha, não é isso, eles estão lindos, mas fortes demais. Me derrubam, me mordem, caem de dois a três em cima de mim de uma vez! Explica o pobre marido tigre, sacudido diariamente pelos seus três filinhos tigrinhos.

Mas um dia, conversando com Menino Gavião que ainda vive no Mundo Espiritual, perguntei sobre o terceiro filho:

-Quem é o tigrinho laranja?Perguntei curiosa, já que somente dois meninos me haviam sido apresentados para encarnar como meus filhos nesta vida.

-É o John Logan mãe. Nosso irmãozinho perdido.

John Logan.
John Logan era o nome do meu terceiro filho, que eu havia planejado à alguns anos atrás. Mas depois que os dois meninos começaram a me ver e conversar comigo, achei que não existiria 3° filho e deixei para lá, já que a minha idade meio avançada, não me ajudava a planejar uma família muito numerosa.
Nesta minha vida terrena, tive que andar por caminhos muito tortuosos e só recentemente encontrei meu amor do passado, Gavião Negro.
E ainda assim, o caminho até ele não fora nada fácil. Assim, eu meio que estou no meu limite reprodutivo. Dois meninos estariam garantidos.
Queria poder ganhar tempo e fólego para um terceiro filho, quando os dois primeiros já estivessem maiores e independentes. Mas com tanto percalço de inimigos, magias, macumbas e outros, acabei deixando essa história para lá.
Com o surgimento dos Totens, me indaguei pelo tigrinho laranja. O terceiro filho estava lá!

-Onde está o John Logan? Porquê ele ainda não veio me ver, perguntei ao Menino Gavião.

-Ele está em tratamento. Sofreu demais na sua última vida. Morreu na rua, drogado e abandonado.
Então meus pensamentos me levaram a um experiência nada legal de uns pseudo-guias há uns 20 anos atrás desta vida física. Era em uma época onde eu atuava no IIPC e trabalhava minhas técnicas de projeção astral, de descobrimentos dos amparadores espirituais, guias espirituais, energização e estava começando a descobrir as vidas passadas.

Em uma projeção astral lúcida, uma Guia Espiritual me mostrava em uma grande tela, eu como mulher em uma vida passada, chorando e sofrendo pela morte de um filho menino de aproximadamente 4 anos. Ele morrera de alguma moléstia, causada provavelmente pela medicina precária e pelo excesso de pestes da época. Instantânemente todo o sentimento de sofrimento, dor e desespero pela morte precoce do filho que senti naquela época veio e tomou meu coração. Era um resgate de vida passada duro, doloroso, e ainda
hoje me questiono se aquilo tudo foi realmente necessário.

E para piorar toda a história, a Guia (pseudo-guia na minha opinião) me informa que nesta vida, esse meu filho era menino de rua. Logo me mostrou a visão de um adolescente muito magro, sujo, andando na rua com outros mendigos e desabrigados, descalço e com uma caixa de engraxate nas costas.

Depois de todo esse estrago, a Guia se vai e me deixa com esse pepino na mão.

O que fazer com essas informações? Busco descabeladamente esse filho de outra vida? Mas nesta vida eu não tenho vínculos com ele?

O que fazer? Será que eu o encontro? Onde? Como...

Perguntas de todos os tipos e que todas ficaram sem respostas até hoje. E eu fiquei com o coração partido e sofrido.

Não bastava apenas me mostrar a dor de ter perdido um filho em outra vida. Tinha que mostrar também que ele sofria nesta vida de abandono, fome, frio, violência nas ruas, drogas e o crack.
Fiquei triste e angustiada por um bom tempo.
Embora meus olhos sempre varressem os locais onde os meninos de rua ficavam, nunca o encontrei.


Independente desse "experiência amarga", sempre havia praticado a caridade, e nunca havia feito nenhum aborto ou coisa parecida. Estava estudando e entrando para a faculdade.
Realmente, foi um experiência desnecessária, que só me trouxe dor e nenhum sentido para ela.


Gosto muito de fazer regressão de vidas passadas, mas com objetivos claros e quando a gente QUER VER UM FATO ESPECÍFICO. As regressões são excelentes formas de auto-conhecimento e entendimento. Mas na experiência relatada acima, eu em nenhum momento pedi para ver algo dessa natureza, e essa Guia Espiritual veio até mim de forma espontânea.
Conversei com Menino Gavião sobre isso, e ele também não entendeu o propósito da coisa.

Pedi para ele ver esse meu filho perdido e me trouxesse notícias. E assim ele o fez.

-Mãe, conheci o José Henrique, anunciou Menino Gavião.

-Quem? Perguntei.


-O John Logan. Chamam ele de José Henrique, acho que era o nome dele da última vida.

E então, Menino Gavião me contou a triste história do meu tigrinho laranja:

"- Ele fora abandonado pela mãe muito cedo. Não conheceu o pai. Família desestruturada, não tinha comida em casa. Só bebida, drogas e violência. Logo ele foi para as ruas tentar sobreviver. Sua mãe daquela vida também morreu precocemente, causado pelas drogas, fome, alcoolismo, prostituição e o crack.

José Henrique era mais um em um bando de meninos descalços, desnutridos e perdidos na rua. Trabalhava um pouco como engraxate, mas como hoje a maioria das pessoas usam sandálias, tênis, e outros tipos de calçados, então ganhava muito pouco com esse bico.
Mendigava muito e quando tinha oportunidade, roubava para comer ou usar drogas. As drogas são muito comuns nas ruas e consomem a vida dessas pessoas sem futuro, sem presente, sem passado.


Ele usava o que aparecia: álcool, maconha, cola. Mas o que era mais barato e rápido é o crack. Com o crack, ele mergulhava em um paraíso falso, em um mundo mágico e fugaz.
Assim, ele distraía a fome, a miséria, o abandono, o sofrimento, a dor.

Morria de medo de ir para o CAJE.

Quando ele morreu, ele demorou muito para entender o que havia acontecido com ele.
Assim que morreu, José Henrique entrou em desespero e em pânico. Quem o acolheu e o ajudou foi seu Zé Pelintra. Seu Zé Pelintra ajuda e acolhe os meninos de rua, até que eles estejam prontos para sair das ruas e ir para o tratamento espiritual e recomeçar de novo.
Mas o Demônio do crack não queria libertar José Henrique. Mesmo depois de morto, o Demônio do Crack ainda
reivindicava os direitos sobre sua alma.


Quando os Guias iam para o Limbo tentar resgatá-lo, ele fugia com muito medo, pois ele achava que ainda estava vivo e que queriam levá-lo para o CAJE. Foi muito difícil convencê-lo e infelizmente é muito comum em almas muito sofridas.

Foi graças a um de seus amigos de rua que já havia morrido e se tratado um pouco antes dele, que o conseguiu convencer a acompanhar os Guias, sair das ruas e ir para o tratamento espiritual.

Eu e Menino Falcão fomos vê-lo, mas não nos apresentamos, só o observamos e gostamos dele logo de cara. Sentimos uma empatia forte muito grande.

Ele estava jogando bola com outros meninos. Estava bem e feliz. O Guia dele disse que ele estava se recuperando bem e que ele havia parado de fumar recentemente. Os espíritos recém-desencarnados trazem muitas manias e vícios do passado e José Henrique ainda tinha o vício do fumo e do crack. Para ajudá-lo a superar, incentivavam trocar o cigarro por brincadeiras , doces e passeios.

-Agora ele tem que brincar muito, reaprender a ser criança, a criança que ele não teve oportunidade de ser na última vida. Superar o abandono e outros vícios daquela vida sofrida, explicou o Guia Espiritual que acompanha José Henrique.

Nisso, José Henrique avistou Menino Gavião e Menino Falcão com seus Guias no canto do campo de futebol. Correu até eles e perguntou eufórico se eles iam entrar para jogar também. Meus filhos sorriem para José Henrique mas avisam que não, só estão de passagem. José Henrique então retribui com um afobado sorriso e volta correndo para o campinho.
Pouco depois, ele dá um tempinho no jogo e corre para os braços de uma Guia, que lhe enche de beijos, o elogia e o coloca no colo para niná-lo.

-Esse é o melhor tratamento para ele hoje, completou o Guia: Amor e Carinho. Se tudo continuar correndo bem, talvez em 10 anos, José Henrique possa voltar à Terra para encarnar na família de vocês, explicou o Guia que acompanha o tratamento do menino.
Tudo depende dele, e o que eu posso dizer, é que ele está indo muito bem!!!"